sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Matéria no Folha Vitória sobre o cuidado com os pés no verão.



Minha colaboração na matéria no Folha Vitória. 
24/11/2013 às 9h45 - Atualizado em 24/11/2013 às 9h46

Cuidados com os pés: fuja dos inchaços e ressecamento no verão

Thamiris Guidoni
Redação Folha Vitória

 
DivulgaçãoMuita gente só repara neles quando o calo aperta, uma ferida aparece, a unha encrava ou o odor começa a incomodar demais. Mas não deveria ser assim, afinal, os pés requerem muitos cuidados como qualquer outra parte do corpo.
Com o início do calor, o uso de sandálias ou calçados abertos faz com que a atenção se volte para eles. E é nesse momento que a maioria das pessoas redobra a preocupação com o aparecimento de micoses, ressecamentos e rachaduras. E para evitar esse ressecamento e infecções nos pés e unhas, os cuidados diários são a melhor saída.
Com a chegada da estação mais quente do ano, cuidar dos pés é ainda mais importante, pois eles tendem a ficar mais expostos às agressões externas, já que a mulherada usa sapatos mais abertos nessa época do ano.
Ao contrário do que muitos pensam, os pés devem ser cuidados com frequência para evitar certos incômodos. Esse descuido pode causar além de ressecamento, odores fortes, rachaduras e até sangramentos.
Então que tal acabar com isso e cuidar dos pés como eles merecem? Afinal, são eles que te carregam todos os dias, pra cima e pra baixo.
Veja o que diz a podóloga Salua Sayegh:
Nossa saúde começa pelos pés, mas muitos se esquecem deste detalhe e deixam que aqueles que nos carregam o dia inteiro acabem sofrendo com males comuns, como unhas encravadas e calos, que podem ser tratados e também evitados com disciplina e cuidados.
Para ter os pés bonitos e saudáveis precisamos dedicar um tempinho especial para eles. No verão a atenção deve ser redobrada pois, a exposição aumenta com o sol, a areia e a água do mar. Jamais fique descalço em banheiros públicos ou que não seja de seu uso habitual. Evite saunas e piscinas públicas. Micoses, bicho-de-pé (Tunga Penetrans), alergias e bicho geográfico são mais incidentes no verão.
O importante é que, se perceberem qualquer alteração, procurem um profissional para um tratamento precoce, evitando o agravamento do problema e o surgimento de infecções graves.
O podólogo é um profissional na área da saúde com capacidade para tratar de casos em diferentes níveis de patologia e orientar com medidas de prevenção. Neste verão não negligencie!
Confira algumas dicas interessantes para manter os pés macios e bem cuidados:
Para quem precisa usar tênis constantemente, é necessário utilizar meias de boa qualidade, de preferência de algodão. Essas meias são ótimas, pois absorvem a transpiração e protegem os pés de fungos e bactérias que causam mau cheiro e micoses.
É muito importante secar e arejar os calçados depois de usá-los, deixando por pelo menos duas horas em um local aberto e bem ventilado.
Após fazer a higienização correta, o uso de cremes hidratantes (principalmente aqueles à base de uréia) deixa a pele dos pés mais macia e evita rachaduras. Entretanto, fique atento ao excesso de hidratante entre os dedos e nos cantinhos das unhas, pois isso serve de porta de entrada para os fungos.
Opte por calçados feitos de couro natural e forrados.
Se você transpira muito nos pés, não deixe de usar pó-pédico, anticéptico ou desodorante próprios.
Evite calçar sapatos fechados imediatamente após o banho. Espere ao menos uma hora.
Apare as unhas, em média, a cada 15 dias, usando tesoura, alicate ou lixas. O corte deve ser reto, sem retirar os cantos para evitar que encravem.
Não deixe que as unhas fiquem muito compridas, pois, nesse caso, podem acumular resíduos e facilitar a infecção.
Para as mulheres
Se for necessário utilizar sapatos sociais de salto, opte por modelos adequados ao formato do seu pé, que não apertem, evitando a formação de bolhas, calosidades ou até mesmo deformidades, como o joanete.
Se possível, deixe as unhas sem esmalte por um dia na semana e hidrate-as com óleos apropriados
Fonte:
http://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2013/11/cuidados-com-os-pes-fuja-dos-inchacos-e-ressecamento-no-verao.html

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Anamnese Podológica - Cortesia Salua Sayegh

Conforme sugestão no GRUPO "Dicas de Hoje Podologia" - FaceBook, elaborei uma síntese de informações necessárias a serem coletadas dos pacientes no momento do atendimento podológico. Tal documento (ANAMNESE), disponibilizo aos colegas para utilização e aperfeiçoamento.
Caso identifique a falta de alguma questão, fico a disposição para receber tal contribuição.

Clique na imagem para download.




Para baixar é simples. Siga as instruções abaixo.
O arquivo está hospedado no 4shared


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Melanoníquia e Melanoma Subungueal.

O que é o Melanoníquia? 


Melanoníquia, do grego mélaina, negro, sombrio, resulta de uma deposição aumentada de melanina na lâmina ungueal originada a partir da matriz ungueal. Apresenta diversas causas, entre elas, o melanoma subungueal, por isso, seu diagnóstico etiológico torna-se essencial, devendo ser o mais precoce possível.






Identificação

Geralmente a melanoníquia é um problema estético inofensivo, causado por trauma aos tecidos ou à pele embaixo do leito ungueal. Embora seja preocupante para alguns, pela descoloração persistente por um longo tempo, a razão para isso é simplesmente que a melanoníquia só desaparece com o crescimento da unha. No entanto, pode ser um sintoma de melanoma, e nesse caso a doença aparece tipicamente em múltiplos dedos/leitos ungueais e/ou é mais persistente que a benigna.

Função

Quando a maior parte de seu corpo sofre um impacto, as enzimas metabólicas criam um hematoma amarelo-esverdeado. Porém, os leitos ungueais não possuem essas enzimas. Quando ocorre sangramento ou hematoma, sua aparência é preto-amarronzada, pois o sangue permanece sob o leito ungueal. Tipicamente, ele cresce com a unha. No entanto, se sua causa for um melanoma, que é uma forma de câncer, em geral a doença é persistente e não é causada por hematoma ou trauma, mas pelo próprio melanoma.

Melanoníquia longitudinal

A melanoníquia longitudinal é um tipo específico da doença que se estende desde a cutícula (ou até mesmo da lúnula distal) até o leito ungueal nas pontas de seus dedos. Aparece tipicamente sem trauma ao dedo, mas como sintoma de melanoma. Se esta melanoníquia aparecer, você deve consultar o seu médico para obter um diagnóstico a fim de descartar uma condição cancerosa.





Sintomas de melanoma

Existem certos padrões-chave determinando o melanoma como diagnóstico mais provável e agente etiológico da melanoníquia. Os médicos consideram o número de dedos afetados, uma vez que a doença em múltiplos dedos sugere o melanoma como causa. A largura da descoloração também é importante. Se for maior no início da placa ungueal, perto da cutícula, e depois na extremidade próxima às pontas dos dedos, isto sugere uma lesão em evolução, podendo ser um indicativo de melanoma. A cor específica é importante, pois os melanomas têm tipicamente muitos padrões diferentes de cores, incluindo estrias irregulares no pigmento, enquanto a cor da melanoníquia benigna é preta ou marrom mais sólida. Além disso, uma banda de descoloração muito escura e larga pode sugerir a presença de melanoma. Descoloração na cutícula e dobras na unha também podem ser sintomas desse tipo de câncer.





Importante 

O melanoma é geralmente uma lesão enegrecida, escura. O melanoma se inicia por uma lesão plana(somente mancha), que com o tempo pode  formar nódulos ou feridas. Existe uma falsa impressão de que somente lesões elevadas na pele podem ser câncer. Melanomas no começo são planos e é nesta fase que é ideal fazer o diagnóstico.
Toda lesão pré-existente que sofrer alguma alteração deve ser prontamente examinada por um médico dermatologista. 

Diagnóstico 

Novos conhecimentos e algoritmos médicos têm ajudado a guiar os médicos na determinação de fazer ou não uma biópsia da melanoníquia para verificar e detectar melanomas. Tipicamente, os médicos começam com o histórico clínico e exame físico. Eles examinarão a descoloração para identificar a lesão a fim de fazer a biópsia. Se ela estiver em crescimento ou um diagnóstico claro não for possível, será necessária a biópsia. Esta verificará a presença ou não de células cancerosas para descartar o melanoma.

Fonte: www.ehow.com.br, www.cancerdepele.net.br 
Fonte Fotos: www.scielo.br, www.dermis.net

Salua Sayegh Podóloga
Rua Ulisses Sarmento, 24 sala 507 Ed. Leon Trade Center - Praia do Sua- Vitória/ES
Telefone: 27) 3042-7444

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A atuação do Laser na onicomicose (fungo na unha)



Tire suas dúvidas sobre o tratamento a Laser

Conhecida pelos profissionais da área da saúde como onicomicose, a micose de unha é uma doença causada por fungos que atacam a queratina da unha deixando-a frágil e propensa a deformações. A unha torna-se esteticamente feia e engrossada e, como consequência, há uma queda na qualidade de vida e prejuízo estético que se refletem na autoestima, vaidade e até discriminação social. Geralmente há manchas brancas em parte da unha, associadas a um descolamento do leito ungueal que pode causar infecções secundárias envolvendo a pele adjacente da unha, conhecida popularmente como “unheiro” ou panarício. O diagnóstico é clínico, mas em alguns casos, há necessidade de exame direto e/ou biopsia local.

Por que muitos procuram o Laser Terapêutico? 

O tratamento desta patologia era realizado, até pouco tempo, somente com antifúngicos orais ou tópicos, em forma de solução creme ou esmaltes. Esses medicamentos nem sempre dão o resultado esperado. O tratamento é longo e o índice de desistência é da maioria dos pacientes, ou porque apresentam alguma indisposição ao medicamento, ou porque desejam voltar a ingerir bebidas alcoólicas, o que não é permitido durante o tratamento. Existe também a possibilidade do fungo se tornar resistente à medicação, não tendo mais o efeito esperado. 

Recentemente, este quadro mudou! A onicomicose agora pode ser tratada pelo podólogo rapidamente com o laser terapêutico, aprovado pelo FDA americano, pelos órgãos de saúde de países da Europa e 
também pela ANVISA, no Brasil. E tem se mostrado muito eficaz para este fim. O laser funciona com um feixe de luz focado na unha e na pele ao redor. Esses raios luminosos atuam no local e elevam rapidamente a temperatura da unha e mata os fungos, eliminando-os da unha e da placa ungueal, onde o fungo cresce. Devido ao lento crescimento das unhas, os resultados podem não ser perceptíveis durante os primeiros meses. Para prevenir a micose de unha, o ideal é evitar o máximo possível o contato com água. A umidade e o calor são habitats ideais para o desenvolvimento de infecções fúngicas. 
Troque de meias diariamente. Faça revezamento dos sapatos, deixando cada par descansar por 24 horas após o uso. Evite pisar descalço em saunas e banheiros públicos. Quem tem onicomicose precisa tratar-se porque essa unha infectada pode ser uma porta de entrada para infecções sistêmicas como a erisipela etc. 

Como é transmitida?

A micose de unha pode ser transmitida a terceiros ao compartilharem roupas (meias, por exemplo) e objetos pessoais (como tesouras e lixas). É preciso ainda checar se manicures e pedicures esterilizam corretamente seus equipamentos (através do método autoclave ou com óxido de etileno) antes de utilizá-los no cliente. Mas, para quem já apresenta a doença, o laser é uma alternativa rápida e eficaz de tratamento.

Fonte: (Dr. João Carlos Pereira. SP)


Saiba mais.

Para aumentar a potencialidade do laser, o podólogo também pode utilizar substâncias como o azul de metinelo. O espaço de tempo entre uma sessão e outra varia de cliente para cliente.

O laser sozinho não vai resolver, infelizmente. Ele faz parte do tratamento e acelera o processo de cura.

Apesar de significar um avanço para a cura da patologia, as sessões não excluem a necessidade do acompanhamento médico.

O procedimento é dolorido ou existe contra-indicação ?

O procedimento não oferece perigo para nenhum tipo de cliente, mas existem ressalvas. Não recomendado para pacientes que não tiveram alta de tratamentos de câncer, principalmente o de pele, gestantes e portadores de psoríase.


Agende seu horário, ligue (27) 3042-7444 - Podóloga Salua Sayegh
Rua Ulisses Sarmento, n° 24 sala 507
Ed. Leon Trade Center
Praia do Suá - Vitória/ES

sábado, 24 de agosto de 2013

História da Podologia. Marie Antoinette - L'Art de soigner les Pieds (A arte de tratar os pés).


 Você sabia que calos doloridos e unha encravada vem desde o século 18?


Esta gravura intitulada "Corn Doctor" de 1793 retrata essa realidade.


A narrativa diz:  "Senhora, não há um profissional nesta região da Europa que retire um calo com delicadeza e segurança como eu faço"

- "Oh! Muito obrigada – essa sua delicadeza – você foi muito ríspido - Você me machucou seu  atrapalhado - Você é um pedicuro!! Susan teria feito melhor - Se você não levantar acampamento imediatamente eu vou arrancar todo o cabelo da sua cabeça ".

Para o meu antepassado Richard, o cuidado com os pés aparentemente não era prioridade - ele lavava os pés raramente.


Por volta do século 18 foram aparecendo livros sobre o assunto de podologia - incluindo este esplendoroso livro que pertence a Marie Antoinette datado de 1782, intitulada L'Art de soigner les Pieds (A arte de tratar os pés). 


E, como na época não existia Catálogos com páginas amarelas, eles divulgavam o trabalho através de um cartão de visita como este:

(Cortesia  de © Mary Evans Picture Library).

   


Outra informação entre os documentos recém-descobertos  pertencente a Richard Hall foi uma carta de sua sobrinha
Ela escreveu em 1800:
"No momento estou sofrendo com dores que já duram 5 semanas. De mal-formação das unhas dos meus pés, ela têm uma tendência a crescer para dentro. Precisei de um cirurgião. Ele cortou meu dedo  quatro vezes e não foi capaz de remover a causa profunda do problema. Assim, estou impedida de fazer qualquer atividade pois meu estado geral de saúde é ruim. .... "


Considerando que o assunto em foco foram as dolorosas unhas encravadas, ela termina sua carta com um gesto simpático dizendo que ela pretende enviar um novo vestido para a mulher de Richard ou a sua filha, e pergunta qual a melhor forma de envio.



Na lista dos 24 livros de "história natural, ciências médicas e físicas de Marie Antoinette", elaborado por Quentin-Bauchart (1886, II, p. 239, No. 49 de Les Femmes Bibliophiles de France), este volume era um dos cinco, ainda em mãos e veio da coleção do Barão Pichon. Esta obra de Nicholas-Laurent Laforest é um dos primeiros clássicos da podologia, esta segunda edição contém um capítulo adicional sobre os cuidados com os pés dos soldados, e também com duas placas gravadas dobráveis ​​que retratam instrumentos podológicos  e várias deformidades dos pés. O livro aborda todos os tipos de queixas podológicas, desde calos, joanetes e verrugas, danos e deformação da unha. O texto é  inteiramente em francês.

Segue link do livro digitalizado pelo Google.


Por Salua Sayegh
Fonte:Blog Mikerendell

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Meia anti-chulé feitas com borras de café carbonizadas nas fibra.

Meia anti-chulé

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Uma startup americana, chamada Ministry of Supply, está causando uma verdadeira revolução no universo das meias, praticamente obrigatórias no dia-a-dia das pessoas.
Eles criaram os pares mais desejados do mundo, apelidados de ATLAS, a reinvenção da meia, que mantém o pé fresco e confortável, sem aquele mal cheiro que envergonha todo mundo.
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Para desenvolver o produto, a startup fez um mapeamento da pressão que o pé exerce, chamado de termografia.
Depois, foi incluído um produto nas fibras da meia anti-chulé: “Para travar o fedor, nós incorporamos borras de café carbonizadas em nossa fibra para controle de odor extremo”, diz a empresa.
Se as meias normalmente são pensadas para serem confortáveis ou bem ventiladas, a Atlas é as duas coisas numa só, garantem os criadores.
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Gota

Gota é uma doença conhecida desde a Antiguidade. Descrita por Hipócrates dois séculos antes de Cristo, foi chamada de “doença dos reis”, porque a nobreza, os intelectuais e as pessoas ricas da Idade Média e dos séculos XVII e XVIII pareciam mais vulneráveis a essa moléstia.
Não é novidade de que a gota está ligada ao ácido úrico cuja produção aumenta e provoca a formação de cristais que se depositam em várias regiões do corpo. Muita gente acha que certas bolhinhas que, às vezes, aparecem nas mãos e nos pés, são sinal de que os níveis de ácido úrico estão elevados no organismo e que a pessoa tem gota. Isso não é verdade. As dores articulares são o principal sintoma dessa enfermidade cujas crises, em geral, se agravam à noite e acometem mais as extremidades.
Gota é uma doença implacável que não tem cura, mas tem controle e as crises dolorosas podem ser evitadas desde que a pessoa não descuide do tratamento.


GOTA E ÁCIDO ÚRICO
Drauzio – Qual a relação entre gota e ácido úrico?
Cristiano Zerbini – O ácido úrico é um componente natural do metabolismo. Há um nível normal de ácido úrico circulante que advém da degradação da purina, um tipo de proteína que faz parte, por exemplo, dos nucleotídeos e do ácido nucleico (o DNA é um deles), componentes essenciais do nosso organismo.
Como os outros componentes, depois de utilizadas, as purinas são degradadas e transformadas em ácido úrico. Parte dele permanece no sangue e o restante é eliminado pela urina. O nível máximo que pode ficar no organismo sem ocasionar problemas é 7mg por 100ml de sangue no homem e 6mg por 100ml, na mulher.
Se esse nível subir, ou porque estamos produzindo muito ácido úrico, ou porque estamos eliminando pouco pela urina, ele pode cristalizar-se, ou seja, formar pequenos cristais semelhantes a agulhinhas, que se depositam em vários locais do corpo, de preferência nas articulações. Quando esses cristais aumentam um pouco de tamanho e se acumulam, são vistos como corpos estranhos pelo organismo, que reage na tentativa de dissolvê-los. Ao atacá-los, as células brancas liberam enzimas. É como se fosse um campo de batalha, com tiro sobrando para todo lado. Nesse caso, sobra enzima e a articulação sofre com isso.
Drauzio – Tão logo o ácido úrico sobe e ultrapassa o valor normal, os cristais começam a depositar-se nas articulações?
Cristiano Zerbini – Esse é um ponto importante a ser destacado. Hiperuricemia, ou ácido úrico alto, não é sinônimo de gota. Mesmo com níveis de ácido úrico um pouco elevados, muitas pessoas jamais terão gota. Todavia, quando os exames de sangue, em geral de rotina, revelam índice superior a 9mg por 100ml, o médico levanta a história clínica do paciente considerando a possibilidade da incidência de gota, uma doença de caráter genético e hereditário, mais masculina do que feminina, que se manifesta na proporção de nove homens para uma mulher.
Portanto, uma das primeiras preocupações é saber se há casos da doença na família do paciente. “Alguém teve gota em sua família, ou pedras nos rins e cólica renal? – são perguntas que o médico não pode deixar de fazer.
Drauzio – Gota em mulher é doença rara?
Cristiano Zerbini – Geralmente na mulher, as crises de dor nas juntas provocadas pelo ácido úrico ocorrem quando ela está tomando diuréticos tiazídicos para controlar a pressão alta. Esse grupo de medicamentos dificulta a eliminação do ácido úrico e ele é acumulado no organismo. Esse tipo de gota é chamado gota secundária e é diferente da gota primária que ocorre especialmente no homem por produção aumentada ou excreção diminuída de ácido úrico, resultado de herança genética.
OUTROS FATORES DE RISCO

Drauzio  Existem outros aspectos que precisam ser observados para o diagnóstico de gota?
Cristiano Zerbini - Se além da herança genética, o paciente estiver um pouco mais gordo, é preciso verificar se é portador de diabetes e hipertensão arterial. Outra conduta importante é pesquisar, na história da família, se há casos de pessoas com dor precordial, pois a gota está entre as doenças que compõem a síndrome plurimetabólica.
É muito bom falar nisso, porque parece que estamos atravessando uma epidemia dessa síndrome no momento. Seu nome científico é “síndrome da resistência à insulina”, mas é conhecida também por “síndrome X”, de certa forma um nome meio místico. Ela é mais comum em homens com excesso de peso, abdômen um pouco protuso e circunferência da cintura maior do que 102cm – nas mulheres, essa medida não deve ultrapassar 88cm -, sinais indicativos de possíveis problemas metabólicos.
Drauzio – Por que essa medida da cintura é importante?
Cristiano Zerbini – A gordura abdominal é diferente da gordura amarelada que existe sob a pele. É chamada de gordura marrom porque tem muitos vasos sanguíneos. Essa gordura provoca resistência à insulina, hormônio responsável pelo metabolismo da glicose, isto é, pela entrada do açúcar na célula.
A resistência à insulina está associada a vários problemas, como aumento de trombos e lesão na parede dos vasos sangüíneos. Sabemos também que a gordura abdominal está diretamente ligada à presença de coronariopatia no homem.
Portanto, aumento da gordura abdominal, coronariopatia, hipertensão, diabetes leve do tipo II e níveis mais altos de ácido úrico sem incidência de gota são características da síndrome plurimetabólica. Se o paciente declarar, porém, que pai ou um irmão já tiveram cálculos renais ou crise de gota, seus níveis de ácido úrico precisam ser baixados.
Drauzio Nesse caso, a pessoa corre o risco de desenvolver gota?
Cristiano Zerbini - Mais ou menos 20% das pessoas com hiperuricemia assintomática, ou seja, ácido úrico elevado sem sintomas, correm o risco de ter gota. Não se justifica, porém, dar remédio para baixar os níveis de quem não tem história familiar da doença ou 8mg por 100ml desse componente no sangue.
CARACTERÍSTICAS DA DOR

Drauzio – De vez em quando, todos nós podemos sentir dor em alguma articulação. Quais são as características dessa dor articular provocada pela gota?
Cristiano Zerbini - Gota é uma das doenças mais bem estudadas e documentadas no mundo. Hipócrates, duzentos anos antes de Cristo, já havia levantado alguns postulados sobre ela. Dizia que os eunucos não tinham gota e que a doença tinha algo a ver com a alimentação. Artistas, intelectuais e políticos do passado descreveram os sintomas tais como são bem conhecidos hoje.
A principal manifestação da gota é a podagra, uma inflamação intensa na articulação do dedão do pé (hallux) que provoca dor muito forte, em geral à noite e na lateral do dedão. É uma dor tão forte que chega a acordar o paciente e não suporta sequer encostar esse dedo no lençol da cama. A sensação é de que alguém está espetando ali  um garfo pontudo e afiado.
Drauzio – O que a pessoa deve fazer quando é acordada por essa dor intensa?
Cristiano Zerbini – Deve permanecer em repouso, porque o ácido lático produzido pelo movimento pode piorar a crise de gota. Deve também colocar imediatamente uma bolsa de gelo no local afetado.
Drauzio – Geralmente, ocorre o oposto. As pessoas colocam calor no local.
Cristiano Zerbini – O calor faz piorar a inflamação, porque provoca a vasodilatação que favorece a chegada de mais substâncias inflamatórias. O gelo, ao contrário, provoca constrição nos vasos, o que dificulta a chegada dos mediadores da inflamação.
Embora não se deva estimular a automedicação, nessa hora, se a pessoa tiver um anti-inflamatório em casa pode tomá-lo para aliviar a dor, mas, na manhã seguinte, é bom procurar um médico.
Drauzio - Essa dor forte só ocorre no dedão do pé?
Cristiano Zerbini – Pode ocorrer também no joelho e, nesse caso, se chama gonagra.
Drauzio – Por que as crises de gota aparecem mais à noite e mais nos pés e nos joelhos?
Cristiano Zerbini – Porque à noite o período de jejum é maior e os níveis de ácido úrico aumenta no sangue o que facilita a deposição dos cristais. As crises acometem mais os pés e os joelhos porque os cristais se precipitam com mais facilidade nas áreas mais frias do corpo, como são as extremidades.
OUTROS SINTOMAS

Drauzio - Existe algum outro sintoma importante da gota?
Cristiano Zerbini – Outra manifestação importante é o aparecimento de tofos, isto é, de caroços brancos ou nódulos formados por cristais de ácido úrico que se depositam nas articulações. Na verdade, esses cristais são constituídos por monourato de sódio (ácido úrico + sódio).
Se os depósitos de cristais se acumularem muito, os tofos podem inflamar e doer durante a crise. Às vezes, não doem, mas quando localizados nos pés dificultam calçar os sapatos e, nos cotovelos, incomodam bastante.
Drauzio – Os sintomas da gota se manifestam sempre no mesmo local ou migram?
Cristiano Zerbini – Geralmente, o indivíduo que tem podagra tem sempre podagra. Se o sintoma apareceu pela primeira vez no pé, a tendência é a crise repetir-se no mesmo lugar.
Todavia, pessoas acima dos 65, 70 anos de idade podem apresentar dores poliarticulares características de uma forma pouco usual de gota, que provoca dores em várias articulações e não apenas em uma delas.
Drauzio – Essa crise de dor articular costuma durar quanto tempo?
Cristiano Zerbini – O quadro de gota é autolimitado. Sem tratamento, a dor pode durar de quatro, cinco dias a duas semanas, mas desaparece por si. No entanto, é sempre melhor tomar alguma providência para o paciente não ficar sofrendo por tanto tempo.
CÁLCULO RENAL 

Drauzio  Existe alguma relação entre gota e cálculos renais?
Cristiano Zerbini - Embora não faça parte do espectro do quadro clínico da gota, muitos pacientes com a doença têm cálculo renal formado por ácido úrico.
Drauzio – Isso quer dizer que quem teve cálculo renal deve fazer exame de sangue para verificar os níveis de ácido úrico?
Cristiano Zerbini – Nós pedimos esse exame para todos os pacientes que apresentaram cálculos renais.
TRATAMENTO

Drauzio – Como se conduz o tratamento para a gota?
Cristiano Zerbini – O primeiro passo é tentar caracterizar a doença. Há dois tipos de pacientes com gota: o hiperprodutor e o hipoexcretor de ácido úrico. O primeiro produz tanto ácido úrico que não consegue eliminar o suficiente; o segundo produz normalmente, mas elimina pouco.
Apenas 10% das pessoas com gota são hiperprodutoras; os 90% restantes são hipoexcretoras. Para estabelecer a diferença, o médico pede ao mesmo tempo exame de ácido úrico no sangue a na urina e combina os resultados. Nível de ácido úrico normal no sangue e baixo na urina é sinal de que a pessoa excreta pouco. Nível alto no sangue e na urina indica que o rim deve estar fazendo o que pode, mas não consegue dar conta do recado, porque a produção é grande demais.
A escolha do tratamento baseia-se nesses resultados, já que existem remédios que inibem a produção e outros que aumentam a excreção de ácido úrico. Infelizmente, algumas pessoas precisam dos dois tipos porque produzem muito e excretam pouco ácido úrico.
Drauzio – Esse tratamento precisa ser mantido pela vida toda?
Cristiano Zerbini – Nunca digo ao paciente que o tratamento tem de ser feito pela vida inteira, porque muitos tratamentos são intermitentes na medicina. Quando atendo um hiperprodutor com níveis elevados de ácido úrico, prescrevo remédio para baixar a produção e vou acompanhando a resposta com exames laboratoriais. Quando o nível se normalizou e o paciente está bem, as doses do remédio são diminuídas. Eventualmente, seu uso pode ser suspenso, desde que a cada dois ou três meses repitam-se os exames para verificar a evolução do quadro.
O tratamento não se restringe aos medicamentos. É fundamental mudar alguns hábitos de vida. O paciente deve emagrecer, cuidar da pressão arterial, se for hipertenso, e adotar alimentação saudável e equilibrada. Digamos que esse tratamento mais global, sim, deve ser mantido pela vida toda.
IMPORTÂNCIA DA DIETA

Drauzio – No passado, dava-se importância extrema à dieta no controle do ácido úrico. Pessoas com ácido úrico elevado eram proibidas de comer proteínas. Esse conceito está fora de moda. Qual é o papel da dieta nas pessoas com ácido úrico elevado atualmente?
Cristiano Zerbini – A dieta antiga era um verdadeiro castigo. A pessoa não podia comer carne de vitela, nem peixe, nem frutos do mar e devia evitar o consumo de grãos. Hoje, trabalhos provaram que, se conseguíssemos retirar toda a purina da dieta, o que é praticamente impossível, o ácido úrico iria baixar 2mg, no máximo 3mg.
Drauzio – Isso quer dizer que numa pessoa com gota ele cairia de 11mg para 9mg e que, apesar da dieta rigorosa, ela continuaria com a doença do mesmo jeito.
Cristiano Zerbini –Isso se a pessoa eliminasse totalmente a purina da dieta, mas ninguém consegue fazê-lo, e tanto sacrifício para baixar 1mg ou 2mg não vale a pena. O que se pergunta a esses pacientes – vou usar o masculino porque a doença acomete mais os homens – é se notaram que algum alimento dispara as crises. Se foi churrasco ou feijoada, pode continuar comendo, mas em menores porções. Está provado que a cerveja está mais ligada às crises do que o vinho e deve ser consumida com moderação.
Drauzio – Qualé a explicação para isso?
Cristiano Zerbini – Só sabemos que o álcool torna o sangue um pouquinho mais ácido e isso facilita a deposição de cristais nas juntas.
Drauzio – Existe alguma dieta que mereça ser recomendada para os pacientes com gota?
Cristiano Zerbini – Dietas pouco calóricas, com baixa ingestão de carboidratos, que privilegiem os ácidos graxos insaturados, são as mais recomendadas. Como o leite e derivados melhoram a eliminação do ácido úrico, devem ser incluídos na dieta que, acima de tudo, precisa ser saudável e favorecer o controle da obesidade e da hipertensão.
ADESÃO AO TRATAMENTO

Drauzio  Como as pessoas com gota reagem quando você recomenda que tomem remédio, emagreçam e adotem uma dieta saudável?
Cristiano Zerbini – A aderência ao tratamento é proporcional aos sintomas dolorosos, ao sofrimento. Ninguém quer ter uma crise de gota, nem sentir a dor e o mal-estar que a doença provoca. Por isso, adere ao tratamento e melhora. A tendência, então, é achar que nunca mais vai ter outra crise e daí relaxa nos cuidados, come e bebe mais, engorda, não controla a pressão arterial e os sintomas voltam intensos, porque gota é uma doença que não tem cura, mas tem tratamento e pode ser controlada.
Fonte: drauziovarella.com.br